EDITORIAL:

O processo de comunicação atual, passou a ser central e prioritário; a tendência delineada para o esse século é um crescimento cada vez mais acelerado da informatização, facilidade e rapidez para acessar informações, substituindo a tecnologia e procedimentos até então considerados suficientes.
As informações e a disponibilidade de divulgação das mesmas entre as pessoas do mundo inteiro tornou-se melhor, imediato através do uso da internet, possibilitando a aproximação não somente de pessoa a pessoa mas a troca imediata de conhecimentos, culturas além de nos manter informados dos acontecimentos que ocorrem no mundo inteiro através de textos, gravuras ou animações.
Portanto, percebe-se que a internet possibilitará divulgação dessas informações para todas as áreas de estudo incluindo aí a HISTÓRIA, com a utilização de seus recursos tanto para obter dados enriquecendo as experiências e aprendizados como também para fazer conhecido os resultados das pesquisas. Uma forma de divulgação cada vez mais utilizada é a REVISTA ELETRÔNICA.
Essa revista é direcionada aos estudantes e professores do curso de História, apostamos numa proposta didática levando em conta uma discussão contemporânea de uma história tão antiga. Assim, o conteúdo expresso neste trabalho deverá cumprir o papel de construir saberes críticos, dinâmicos e problematizadores das noções do senso comum.
Utilizamos como metodologia a consulta bibliográfica de materiais que abordassem o assunto e busca na rede de computação que mostrava as revistas acessíveis pela intenet.
Outra forma de alcançar informações é a interligação através dos links de hipertexto, onde os artigos tem várias palavras e frases "linkadas", ou seja, que remetem diretamente a outros sites na internet, que permitem ao leitor aprofundar seus conhecimentos sobre o assunto tratado, no nível que desejar.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

CELEBRIDADES - Hatshepsut, Nefertiti e Cleópatra


Dentre as diversas notícias sobre as várias celebridades do Egito Antigo, algumas sobressaem, como por exemplo  a hipótese de que Cleópatra seria uma filha bastarda,  ou mesmo da mulher que se considerava Faraó, título dado apenas aos Reis Egípcios, ela vestia-se como homem  e usava barba postiça, estamos falando da Rainha Hatshepsut, que teria dado um golpe e tomado o poder do seu enteado Thutmois  III,  esse por sua vez,  em vingança teria apagado todos os vestígios que conservassem a sua memória, também temos o caso da Rainha Nefertiti  cujo nome significa “a mais bela chegou” esposa de Akhenaton, foi este Faraó que substituiu o culto politeísta (crença em vários deuses) pelo monoteísmo (culto a apenas um Deus), a respeito dela, dizem que governou o Egito durante dois anos, após a morte de seu marido, morreu aos  trinta e cinco anos de idade (1.380 a.C – 1.345 a.c)  e sua morte também é um mistério, acredita-se que tenha sido assassinada pelos sacerdotes,  estes defensores do politeísmo  uma vez que  a Rainha seguiu o atonismo imposto pelo marido ... Na reportagem abaixo vocês vão ter a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a vida social, familiar e amorosa dessas mulheres tão importantes e polêmicas.

Hatshepsut

Hatshepsut pode ter sido a primeira mulher que governou como um Faraó na 18a. Dinastia. Seu reinado foi por cerca de 22 anos de prosperidade e relativa paz. Nascida na cidade de Tebas, era filha mais velha de Tutmés I e a Rainha Ahmose. Quando o seu pai morreu Hatshepsut teria cerca de quinze anos (para alguns egiptólogos teria vinte anos). Casou com seu meio-irmão, Tutmés II, seguindo um costume que existia no Antigo Egito que consistia em membros da família real casarem entre si. Após a morte de Tutmés II, cujo reinado é pouco conhecido, o enteado de Hatshepsut, Tutmés III, era ainda uma criança que não estava apta a governar. Por esta razão Hatchepsut, na qualidade de grande esposa real do rei Tutmés II, assumiu o poder como regente na menoridade de Tutmés III. Mais tarde, Hatchepsut decidiu assumir a dignidade de faraó. Mais poderosa que Nefertiti e Cleopatra, seu poder e influência foram além das fronteiras do Egito, vestia-se como rei e usava uma barba falsa, sendo tudo inédito para o povo egipcio: uma mulher faraó, roupas masculinas, barbas e fez a economia florescer. Construiu templos magníficos e como já dito, expandiu as fronteiras de seu império. Ela proporcionou as mulheres autorização de propriedade e para os cargos de oficial. Elas receberam direitos de herança dos familiares falecidos e foram autorizadas a apresentar seus casos no tribunal. As mulheres do antigo Egito tinham mais liberdade, ao contrário de outras culturas antigas como a Grécia, onde as mulheres deveriam ficar em casa. Hatshepsut foi uma mulher muito original e inteligente. Ela usou várias estratégias para legitimar sua posição como faraó. Não só ela anunciar-se como faraó e fabricar uma co-regência com seu pai (Tutmés I), mas ela também tentou fazer-se mais endeusada pela invenção de histórias com o apego aos deuses. Ela fez isso, fazendo parecer como se os deuses tinha falado com ela e sua mãe, enquanto ela ainda estava no seu ventre. Hatshepsut enganou seus súditos e para o público inculto, indicando que Amon-Ra tinha visitado a mãe grávida no templo de Deir el-Bahri, no Vale dos Reis.
Havia muitas figuras proeminentes durante o seu reinado,mas, sem dúvida uma foi importante, Senenmut que nasceu de uma família humilde de Armant. Ele chegou a ser conhecido como o porta-voz de Hatshepsut e mordomo da família real. Além disso, ele era conhecido como superintendente das construções do deus Amon. Durante os últimos anos, Hatshepsut tinha instalado obeliscos no templo de Amon-Rá em Karnak. Senenmut supervisionou o transporte e montagem dos obeliscos, bem como o templo mortuário que foi construída para Hatshepsut em Deir el-Bahri. Parece que ele deve ter sido muito bem defendido pela rainha pois tinha uma tumba separada construída perto da tumba de Hatshepsut para si. Ele tinha essa segunda tumba cavada na frente do túmulo da rainha Hatshepsut, apesar de possuir uma outra tumba em xeque Abd el-Qurna. Durante o reinado de Hatshepsut, fofocas (a língua do povo ... isso não muda!) diziam que a fortuna de Senenmut era resultado de suas relações íntimas com a rainha. Para adicionar a esta conclusão, foi ainda alimentada pelo fato de que ele desempenhou um grande papel na educação dos Neferure Hatshepsut única filha da Rainha Faraó. Seu irmão, Senimen, também atuou como enfermeiro e um administrador para Neferure e isso causou mais boatos desenfreados. Diversas estátuas foram encontradas associando Senenmut Neferure com a princesa.
A história mostra que Senenmut era uma figura proeminente durante três quartos do reinado de Hatshepsut e possivelmente depois da morte de Neferure (parece que ela morreu por volta do ano 11 do reinado de Hatshepsut). A história também mostra que a construção do famoso templo de Deir el-Bahri foi provavelmente iniciado por Tutmés II e mais tarde acabou por rainha Hatshepsut. As paredes do templo retratam conquistas importantes, como a expedição de Punt, perto do Mar Vermelho. Esta expedição comercial trouxe muitas riquezas para o país.
A morte de Hatshepsut permanece um mistério. Parece que ela reinou por quinze anos e seu enteado, assumiu o trono depois de seu desaparecimento. Acredita-se também que o ódio de sua madrasta empurrou-o para apagar a memória de existência, e todas as representações da Rainha. Ela parece ter tido mais medo do anonimato do que da morte. Ela foi uma das maiores construtoras de uma das mais importantes dinastias egípcias. Ela levantou e renovou templos e santuários do Sinai até a Núbia. Os quatro obeliscos de granito que ela ergueu no vasto templo do grande deus Amon em Karnak estavam entre as obras mais magníficas já construídas. Ela encomendou centenas de estátuas de si mesma e deixou as contas em pedra de sua linhagem, seus títulos, sua história, reais e inventadas, até mesmo seus pensamentos e esperanças, que às vezes ela confidenciou com franqueza incomum. Expressões de preocupação Hatshepsut gravado em um de seus obeliscos em Karnak ainda ressoam com uma quase charmosa insegurança: "Agora meu coração acha que desta forma as pessoas vão dizer quando olharem meus monumentos nos anos vindouros que eu realizei algo"


Nefertiti

Nascida no ano de 1380 a.C., Nefertiti, cujo nome significa ‘a mais bela chegou’, foi uma rainha egípcia da XVIII dinastia que se tornou notável por ser a esposa do faraó Amenhotep IV, conhecido como Akhenaton, responsável por substituir o culto politeísta pela reverência a um deus único, o rei-sol Aton.
Com Akhenaton, Nefertiti teve seis filhas entre os nove anos de reinado do marido. São elas: Meritaton, Meketaton, Ankhesenpaaton, Neferneferuaton, Neferneferuré e Setepenré. Porém, ao longo do reinado egípcio de Akhenaton, três de suas filhas sucumbiram com o alastramento de uma peste da malária, que era conhecida como “doença mágica” por seu poder de devastação. Mais uma das filhas do casal, Meketaton, morreria cedo em decorrência de um afogamento acidental.
Apesar de ser um símbolo de beleza fascinante mesmo na atualidade, pouco se sabe sobre a vida de Nefertiti. Ela teve uma irmã que se chamava Mutnedjemet e foi criada pela ama Tiy, que era casada com um funcionário da nobre corte, até conhecer e casar-se muito jovem com o faraó Akhenaton.
A rainha teve grande importância na disseminação do culto monoteísta junto ao seu marido, pois era uma das únicas que podia reverenciar e interceder diretamente com o rei-sol Athon. No reinado de Akhenaton, o faraó e a rainha eram responsáveis pela realização dos cultos e eram figuras representativas dessa divindade, fortalecendo os laços com a população.
Por sua grande popularidade, alguns historiadores defendem a tese de que Nefertiti tenha sido alvo de assassinato de alguns sacerdotes que defendiam o politeísmo. Outros especialistas, ainda, acreditam que ela tenha se tornado co-regente de Akhenaton, acumulando mais poder. Essa última tese é levantada graças a uma imagem em bloco de pedra onde a rainha aparece golpeando um inimigo com uma maça, remetendo à ideia de força.
Entretanto, sabe-se que após o término do reinado de seu marido, Nefertiti sumiu misteriosamente, pois poucas escrituras e imagens retratam esse período de sua vida. Alguns arqueólogos estimam que ela tenha morrido no ano de 1345 a.C.
Em dezembro de 1912, os alemães acharam em sua terra natal uma escultura que identificaram como o ‘busto de Nefertiti’, obra que tornou-se a principal referência estética de sua beleza e austeridade que marcou o período do Egito Antigo. Atualmente, a obra pertence ao Museu de Berlim, na Alemanha.


Cleópatra

FRATRICIDA
Cleópatra na visão do pintor francês Alexandre Cabanel: ela mata o irmão para subir ao poder

Cleópatra, a fascinante rainha do Egito, não era linda. Nem sequer bonita. Era quase feia. Tinha um nariz adunco e grande e os cabelos cacheados, bem diferentes de sua pública marca registrada, a franja e os fios longos e lisos. Mas, sim, era extremamente sedutora e “escravizou” vários homens, entre os quais dois dos mais poderosos de seu tempo, o general romano Júlio César e seu protegido e sucessor, Marco Antônio. Era, na verdade, um genuíno ser político. Poder era o seu afrodisíaco. Ao longo dos tempos, seu nome costuma ser ornamentado com apostos como traidora, ardilosa, assassina, irascível, falsa, astuta, esperta, ávida, ambiciosa, etc. Mas, reconhece-se, era ameaçadoramente inteligente e independente.
Por que a história optou por retratá-la apenas como predadora sexual em vez de iluminar sua intrigante personalidade de mulher de negócios? “Foi sempre preferível atribuir o sucesso de uma mulher à sua beleza do que à sua inteligência”, diz a autora, que “escavou as fontes mais antigas, separou o que era mito e eliminou as fofocas”, segundo o jornal “The Washington Post”. Cleópatra praticamente não deixou rastros originais. Talvez, e no máximo, seja dela a letra de uma única palavra escrita em 33 a.C.: “ginesthoi”, denominação grega para “cumpra-se”, que consta de um decreto real. Ela nasceu em 69 a.C. e morreu aos 39 anos. A versão mais popular diz que se deixou picar por uma serpente venenosa. Mas também isso pode ser uma invenção para dramatizar o mito. No final da vida, Cleópatra era mantida em cárcere privado por Otaviano, que acabara de anexar Alexandria a Roma, e as ordens eram para vigiar tudo e a impedir que se matasse. Como então teria passado despercebida pelos guardas uma cobra de 1,80 m de comprimento dentro de uma cestinha de frutas? Menos glamorosa, e talvez mais verdadeira, é a hipótese de ela ter se suicidado ingerindo qualquer veneno e tendo convulsões como qualquer outro mortal.
Antes de matar a si própria, porém, ela matou muitos inimigos, dentre os quais seus irmãos. Há muitos buracos em sua biografia. A mãe, por exemplo, é um mistério: parece que era filha bastarda e sua genitora morreu cedo.
O fato é que aos 12 anos já era órfã, com certeza. Cleópatra era descendente dos reis gregos do Egito, os ptolomaicos. Seu pai, Ptolomeu XII, morreu quando ela tinha 18 anos e deixou os descendentes cheios de dívidas. Ele designou que o Egito seria comandado por ela e um irmão, juntos, casados, como era costume na época. Cleópatra acabou por matá-lo e ficou sozinha com o poder. A rainha do Egito não era egípcia e, sim, grega de nascença. A vida pessoal sempre se enroscou com a política.
Aos 21 anos, ela conheceu o primeiro amante, Júlio César, o poderoso general de Roma. Tiveram um filho e foram parceiros em planos de conquistas e monarquia conjunta. “Cleópatra, sem dúvida, contribuiu para a queda de César”, diz a escritora. Mas não parece ter participado do complô que o levou à morte, esquartejado por antigos companheiros. O fato é que ela logo tratou de seduzir seu sucessor, Marco Antônio, com quem teria vivido a maior relação de amor. Isso, contudo, não impediu que o encaminhasse para uma armadilha, ao final. O romance com Antônio, como ele é chamado, se deu quando a rainha tinha 28 anos e já era considerada meio velha. A atração foi instântanea e fatal, e eles tiveram um casal de gêmeos. A biógrafa escreve: “A notícia de que a empreendedora rainha do Egito tivera um filho chamado Alexandre, cujo pai era Marco Antônio e cujo meio-irmão era filho de Júlio César, constituía uma manchete de primeira página em 39 a.C. Era o que bastava para que Cleó­patra, usando uma frase muito posterior, fosse alvo de fofocas no mundo inteiro.” O fim dos dias de Cleópatra e Antônio é uma típica tragédia grega. O livro de Stacy, eleito um dos melhores do ano pelo jornal “The New York Times”, servirá de base para um novo filme sobre a rainha fatal, desta vez, com Angelina Jolie no papel principal. Apesar de linda, Angelina não precisará do seu esplendor físico para interpretar esta nova Cleópatra, uma estadista arrojada que, há dois mil anos, triunfou em um mundo dominado pelos homens.


Referências:

http://www.allthelikes.com
http://pt.wikipedia.org/wiki/Nefertiti
http://www.suapesquisa.com/egito/nefertiti.htm
http://www.historianet.com.br

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

NOTÍCIAS NACIONAIS e INTERNACIONAIS - Os Bérberes

Os povos Bérberes

Conhecidos desde a Antiguidade, os berberes são povos autóctones – ou seja, povos naturais da região – do norte da África. Não fosse por eles, as rotas comerciais da África sub-saariana com o Oriente Médio e até mesmo com a Europa demorariam séculos para tornar-se realidade.


 
Inicialmente os berberes viviam em tribos esparsas que cobriam uma boa parte do deserto do Saara, principalmente na região onde hoje temos a Mauritânia, o Marrocos, a Argélia, o Mali, a Líbia e até mesmo a Tunísia – região que nós costumamos chamar de “Magreb”.
Como nômades, ao longo do tempo eles desenvolveram a capacidade de viver e cobrir grandes distâncias de deslocamento no deserto, acostumando-se às limitações físicas e climáticas que só um deserto pode impor a quem o desafia.
Eram povos nômades do deserto do Saara. Este povo enfrentava as tempestades de
areia e a falta de água, para atravessar com suas caravanas este território, fazendo comércio.
Costumavam comercializar diversos produtos, tais como: objetos de ouro e cobre, sal, artesanato, temperos, vidro, plumas, pedras preciosas etc. Durante as viagens, os Bérberes levavam e traziam informações e aspectos culturais.
Hoje os antropólogos que estudam os berberes não os classificam como apenas UM povo comum, mas sim um conjunto de povos nômades que tem características sociais e lingüísticas bem parecidas mas que não tem uma definição – até os dias de hoje – como um povo unido em torno de um Estado, apesar de uma identidade cultural bem comum entre as diversas tribos.
Permitam-me um exemplo rápido de povo que mesmo sem uma nação geograficamente definida se identifica como povo comum: os judeus, que mesmo expulsos da Palestina na Antiguidade e espalhados por diversos países – até a fundação do Estado de Israel em 1948 – mantinham-se ligados por laços culturais e religiosos.
Cabe aqui também citar uma peculiaridade dos berberes: após a expansão islâmica dos séculos VIII e IX, muitos se converteram ao islã e transmitiram sua herança religiosa. Hoje podemos dizer que a característica mais comum ao povo berbere é justamente a adoração ao islã.
Normalmente os berberes são classificados de acordo com os dialetos específicos de cada grupo, que também costumam ocupar uma região de forma esparsa ou não. Os três principais grupos berberes – que são também grupos lingüísticos – são os tuaregues, os tamazights e os chleuhs. Temos também os chamados berberes dos oásis, os chaouias, os rifains e os kabyles.

Os mercadores do deserto:

Com o tempo os constantes deslocamentos vão credenciar os berberes à tarefa de comerciantes e principais transportadores de produtos entre a parte central e sul do continente – onde nós temos savanas e florestas tropicais que ficaram isoladas por séculos por conta da proteção do deserto do Saara – com os grandes centros consumidores da Antiguidade.
Desnecessário dizer que os principais aliados na árdua tarefa dos berberes em viajar pelo deserto por semanas ou meses sempre foram o camelo e o dromedário, animais que suportam viver nas condições extremas da região.

Estes são turistas, mas o que seria das caravanas do deserto sem os camelos?
Os berberes transportavam e comercializavam de tudo, desde peles de animais selvagens abatidos nas florestas e savanas, marfim, cerâmicas, lanças, pedras preciosas e até escravos, capturados depois de batalhas entre as tribos sub-saarianas e vendidos no Egito, na Núbia e no Oriente Médio.
Normalmente os berberes faziam a ponte entre as mercadorias produzidas pelos ashantis, bantos, songhais, haussas e bambaras, entre outros povos sub-saarianos e da região do sahel – aquela região logo abaixo do Saara que precede as florestas africanas – para outras regiões e vice-versa, garantindo a circulação de muitos produtos entre o continente africano e o Oriente Médio, garantindo o abastecimento de especiarias às cidades africanas litorâneas do Mediterrâneo e do Atlântico.

 
 Mercado de especiarias em Marrocos. Há séculos abastecido pelos berberes


Referências:

- “Tuareg, os ‘homens azuis’ do Sahara: história de um povo nômade“, de Luiz D. Ribeiro e Maria E. C. Leal.

- “Os Berberes na Antiguidade” [primeira parte] e [segunda parte], de Valter Pitta.
Aproveitem!

GASTRONOMIA - Antiga cozinha Egípcia


 A cozinha do antigo Egito, por mais de 3 000 anos manteve traços consistentes. O alimento dos egípcios pobres e ricos eram o pão e a cerveja, muitas vezes acompanhada de cebola, legumes, carne em menor quantidade, caça e peixe.


A base da alimentação dessa civilização constituía-se de trigo, cevada e pão acrescidos de vegetais como a cebola, fava e lentilha, leite, queijo e uma grande variedade de peixe. A bebida consumida em quase todas as refeições era a cerveja. O dia era composto de três refeições, sendo a primeira com frutos; a do meio do dia era geralmente realizada fora do lar, com carnes, pão, vinho, cerveja e frutas; e a terceira refeição (considerada como sendo a principal), ocorria ao final da tarde e tinha a carne de ganso assada como prato preferido. 
Trigo

Pães e bolos eram preparados nas casas das pessoas ricas e também nos templos, o que incluia a moagem dos grãos. É possível, entretanto, que moleiros e padeiros independentes trabalhassem para atender as pessoas humildes. A panificação era um trabalho conjunto de homens e mulheres.

Alguns peixes eram comidos crus e secos ao sol ou postos em salmoura. Entretanto, várias outras espécies eram comidas assadas ou cozidas. Uma vez pescados, os peixes eram estendidos no solo, abertos e postos a secar. Visando a preparação do escabeche, eram separadas as ovas dos mugens. Mais uma vez um papiro cita a quantidade de peixes doados a três templos: 441 mil. Os templos recebiam não apenas peixes frescos, mas também secos.
Dentre os alimentos disponíveis estavam frutas como figo, tâmara, pomo (fruto carnudo composto de paredes espessas do cálice que envolve um ou mais carpelos, tal como maçã, pêra, marmelo), romãs, amêndoas e outros. A chufa (planta chamada de amêndoa, pois ao ser esmagada produz um líquido com sabor característico) era o alimento predileto. 

Pomo

Romã

Chufa
Também se cultivava cogumelo, repolho e ervilhas secas. Como condimentos, o alho e o açafrão eram amplamente utilizados, sendo o açafrão encontrado em muitas pinturas como oferenda ao deus Sol. Com relação ao leite, este deveria ser acondicionado em um vaso específico ornamentado com desenho na face externa. Cabe ressaltar que às mães resguardava a tarefa de amamentar em especial os filhos varões, e também lhes levar pão e cerveja enquanto eram educados na casa dos tutores. 

Açafrão
Pintura mural de um túmulo retratando trabalhadores arando os campos, a colheita das culturas e a debulha de cereais sob a direção de um supervisor.
Cerveja
O pão levedado foi inventado no Egito

Durante a antiguidade, a divisão do trabalho no Egito era de acordo com o gênero, cabendo aos homens a tarefa de trabalhar no campo, enquanto às mulheres deveriam despender seu tempo na confecção de artefatos domésticos. Como exemplos de utensílios utilizados na cozinha estão: cestos, pratos individuais, espetos de metal, colheres e copos de bronze. 

Para os egípcios, a idéia de paraíso era como a de um campo de alimentação farto. Desse modo, adicionavam aos mortos o grão de uma planta chamada painço, por acreditarem que aquele que chegasse ao céu mereceria ter algo para comer. É importante destacar que muitos, por viverem em escassez de recursos financeiros, materiais, e até mesmo em situação de fome, desejavam após a morte, irem para o céu, lugar em que não passariam fome outra vez.


Retratando um pouco a alimentação no universo que permeava a figura do faraó, pode-se dizer que havia muita fartura. Havia todos os tipos de iguarias para serem consumidas o quanto bastasse: vinho, cerveja, mel, carne-seca, gordura animal, aves e azeite. Em comparação, o povo simples (em especial os camponeses) sofria com os efeitos da fome, bastando uma cheia repentina do rio ou o surgimento de uma crise política para assolá-los. Os itens presentes no cardápio dessa camada da população dita “povo simples” continham diferentes variedades de pão e uma cerveja muito energética chamada henequet.

A moral sempre esteve à mesa do povo egípcio. Comportar-se de modo sóbrio em relação aos prazeres da mesa era garantia de ordem social. Dentro disso estão envolvidas questões como respeito pela hierarquia (base do sistema social nessa época) e religião (que também impunha seus tabus).

Nos dias atuais, a alimentação dos descendentes dessa civilização continua sendo o pão e alguns alimentos como a lentilha e cebola, as quais compõem um prato típico do Egito – o “ensopado de ervilhas”, servido com cereal cozido e azeite de olivas. Influências como as advindas da culinária grega, italiana, árabe, turca e francesa, permitem uma ampla variedade de receitas e sabores. Entretanto, o doce preferido atualmente tem como ingrediente principal a amêndoa – muito consumida desde a antiguidade –, compondo iguarias como o kanafa (patê de amêndoas) e baklama (bolo de amêndoas). Há também o kebab, feito de carne de frango ou carneiro servida em um espetinho, que nos tempos dos faraós era consumido apenas uma vez ao ano.


Como curiosidade, a primeira prescrição dietética de que se tem relato está no papiro de Ebers datado de 3400a.C. Tal documento traz os dizeres: “por isso foram instalados postos com suas funções atribuídas para fornecer nutrição e todos os alimentos... Tudo tem que ser obtido dos mesmos, alimento, nutrição ou gêneros para os deuses e tudo que for bom para satisfazer suas necessidades alimentares”.

Referências

Agência de Notícias Brasil-Árabe. Disponível em: <http://www.anba.com.br/>.


Discovery Channel. Disponível em: <http://www.discoverybrasil.com/egito/brasil_dc_egito_home/>.

Egito Turismo. Disponível em: <http://www.egito-turismo.com/>.

Gastronomia e negócios. Disponível em: <http://gastronomiaenegocios.uol.com.br
/artigosecolunas_ver.php?idMateria=448>.


Michaelis. In: Universo OnLine.

Ornellas LH. A alimentação através dos tempos. 3ª. ed; Florianópolis: UFSC; 2003.

Tallet P. História da cozinha faraônica: a alimentação no Egito Antigo. São Paulo: Senac; 2005.

ENTREVISTA - Cleópatra: a volta da eterna rainha


A última soberana do Egito abre o jogo. Fala de amor, sedução, política e, claro, segredos de beleza. Naqueles tempos de submissão feminina, Cleópatra representou a anti-Amélia.

Estudandes de História | 12/01/2012 00h00
Cleópatra dispensa apresentações. É, sem dúvida, a mais famosa rainha de todos os tempos, símbolo de beleza, sedução e – como todo mundo sabe – libertinagem. No cinema, foi eternizada por Elizabeth Taylor, em 1963. Coroada aos 18 anos, a última soberana do Egito não era egípcia. E, sim, descendente de uma dinastia grega, os ptolomeus. Nasceu em Alexandria em 69 a.C. e morreu antes de completar 40 anos.
Para manter o Egito nas mãos da família, casou-se com seus dois irmãos mais jovens. O primeiro morreu, e o segundo, ela envenenou. Seu amante mais famoso foi o general romano Júlio César, com quem teve Cesarion. Com o affaire, ela manteve o Egito livre de Roma.

Em suas conquistas, Cleópatra valia-se da textura da pele, da sensualidade e da beleza, aliás questionada por alguns historiadores. Mas a rainha do Egito não era só um rostinho bonito. Era culta como poucas mulheres do seu tempo. Conhecia matemática, astronomia, filosofia, política, e falava nove idiomas.
Três anos após a morte de César, Cleópatra seduziu outro general romano: Marco Antônio. Juntos o novo casal tentou abocanhar os tronos de Roma e do Egito ao mesmo tempo. Não conseguiu. Marco Antônio acabou se suicidando. Cleópatra, para não ser acorrentada pelos romanos, teve o mesmo destino. Deixou-se picar, em seu quarto, por uma cobra-rei ou naja.
Mais de 2000 anos após sua morte, a eterna rainha fala das dores e das delícias de ser uma celebridade mundial. E, claro, dá dicas de beleza e sedução.

História – Há quem diga que sua beleza é um mito. Como então conseguiu seduzir tantos homens?
Cleópatra – Não posso forçar ninguém a me achar linda, mas negar que sou muito interessante ninguém pode.
Interessante?
Sim, interessante – e inteligente. Aliás, conhecimento nunca é suficiente. Por mais linda que a mulher seja, ela não consegue manter um homem por muito tempo sem cultura. Sempre opinei nas ações de César. Me entediaria se tivesse a vida das esposas de Roma. Um tédio.
Mas você não era a esposa dele. Ser amante a incomodava?
No começo, eu nem ligava. Tratava-se de interesse político. Eu não poderia deixar o Egito nas mãos do meu irmão mais novo e planejei seduzir César para conseguir o trono. Depois me envolvi, tive medo, insegurança, eu era muito jovem.
Como aprendeu a arte da sedução?
Eu não tinha mãe ou pai. A pessoa mais próxima era meu conselheiro. Mas não poderia perguntar a um eunuco como seduzir um homem como o grande general.
E então...
Simples: ordenei que trouxessem até mim uma hetaíra, uma cortesã. Ela me deu boas demonstrações, que pus em prática no primeiro momento com César. Me senti pequena demais diante daquele homem. Com o tempo fui ficando mais segura. Consegui me soltar, tomar a iniciativa e dominar a situação na cama. Os homens adoram isso.
Você era muito vaidosa?
Como toda mulher é ou deveria ser.
Algum segredo?
Os óleos deixam a pele macia e muito atraente. Com o sol forte do Egito, era preciso um cuidado especial. Eu recebia massagens com diversos óleos diariamente e tomava banhos de leite de jumenta.
Que ficaram muito famosos...
Não é preciso ser rainha para saber o que é bom, não é? (risos).
Você sabe que a maquiagem se originou do kohl negro, que você usava para pintar os olhos?
Sim. Às vezes, eu usava o pó de malaquita, um kohl verde. Essa pintura deixava os olhos lindos e os protegia do excesso de claridade. Hoje, vocês têm facilidades que a gente não tinha naquela época, além da enorme variação de produtos. Esse tal demaquilante de olhos deve ser tudo.
E suas roupas? Você tinha alguém que se preocupava especialmente com sua apresentação?
Quando governei, não existia ainda o conceito de moda. Era tudo muito parecido, não era possível ter exclusividade. O que diferenciava as mulheres nobres eram os tecidos, de muito mais qualidade.
Eram importados?
Imagina! O linho e o algodão são típicos de locais quentes e o Egito produz os melhores, até hoje.
E para os cabelos, havia algum segredo?
Que cabelo? O piolho foi uma praga do Deus hebreu e tivemos de depilar todo o corpo para não propagar a desgraça. Chegamos a usar cera de abelha no alto da cabeça para espantar as moscas, outra praga divina. Eu era careca.
Mas a sua franja foi eternizada por Elizabeth Taylor no filme Cleópatra...
Mas era filme. Ouvi dizer que essa atriz só usou o que quis durante as filmagens. Foi tratada como rainha.
A brasileira Alessandra Negrini viveu Cleópatra no cinema.
Li alguma coisa a respeito, mas não conheço o trabalho dela. Vc teria uma cópia do filme? É bom para matar a saudade.
Ninguém tem prova, mas os comentários sobre você ter mantido relações sexuais com um exército inteiro de Roma duram até hoje. É verdade?
(séria) Demorou para você tocar neste assunto. Só tenho a dizer que fui casada de verdade com dois homens: Júlio César e Marco Antônio. Amei e estive ao lado dos dois até o último suspiro. E não falo mais nada sobre a minha vida pessoal.
Mas os comentários têm fundamento?
Ou mudamos de assunto ou terminamos a entrevista por aqui. O que você prefere?
Ok, que tal falarmos sobre Júlio César? Ele também nos deu uma entrevista, você leu?
Infelizmente a edição esgotou, mas tenho certeza que deve ter sido maravilhosa. Ele era um grande homem. Muito inteligente.
Ele era muito mais velho que você. Isso não atrapalhou?
Júlio foi meu primeiro homem e pai de Cesarion. Isso é mais importante em uma relação do que a diferença de idade. Antônio também era mais velho. Apenas uns dez anos, mas era mais velho.
Então sempre gostou de homens mais velhos?
Homens interessantes, com garra e determinação. A idade não importa.
Talvez o assunto não lhe agrade, mas com essa pergunta encerramos a entrevista. Você sentiu medo ao ver a cobra saindo do cesto de frutos na noite em que foi picada e morta?
(pensativa) Não. Sei que o poder tem o seu preço. Um preço alto, diga-se. Eu poderia ter escolhido o suicídio, como fez Antônio, mas jamais deixaria Otaviano executar meus filhos por isso. Posso ter fama de rainha louca, libertina e perversa, o que não vou discutir, mas sempre fui uma mãe muito zelosa com o futuro dos meus filhos. E mais preocupada ainda com o destino do meu povo.


Saiba mais

Livro
Quando Éramos Deuses, Colin Falconer, Record, 2004 - Um romance sobre a vida amorosa e política de Cleópatra.

MODA - Tendências do Egito Antigo

Ao norte da África, por um período de aproximadamente três mil anos a.C., surgiu uma sociedade bastante rica em termos de tecnologia, arte e arquitetura. Através desses elementos, foi possível observar o modo de vida e os costumes desse povo, inclusive sua indumentária. Por ser uma sociedade estruturada por castas (classes sociais que se mantêm imóveis e irrelacionáveis), a cultura permaneceu inalterada durante anos de sua existência.
O uso de roupas no Egito antigo servia para distinguir as classes. As mais baixas e os escravos, principalmente as mulheres domésticas, andavam quase ou completamente sem roupas, sendo visto com naturalidade e não algo pornográfico. A grande maioria da população raspava a cabeça por completo devido a grande infestação de piolhos. Com isso, usavam muitos adereços de cabeça, como perucas, feitas de linho ou palmeira, ou até mesmo cabelo natural. Os que mantinham os cabelos, usavam de forma bem características, com os fios enrolados. Já os guerreiros usavam capacetes de metal em forma de elmos.
Por serem representados  sempre com os olhos bem marcados, supõe-se que o egípcios já detinham alguma tecnologia para produzir cosméticos. As classes mais abastadas adoravam enfeites e andavam adornadas de jóias. Os Faraós usavam peles de leopardo jogadas por cima dos ombros, para demonstrar poder.
O uso de fibras animais era considerado impuro para o feitio das roupas, e por isso fizeram pouco uso da lã. Assim, desenvolveram o cultivo do algodão, sendo considerado até hoje um dos melhores do mundo. Os tipos de roupas mais usados foram o chanti, que era basicamente um pedaço de tecido amarrado na cintura como uma tanga. Existiam em vários tamanhos e quanto mais nobre fosse a classe mais requintado era, com bordados em ouro, pregas e gomas. O haik era uma túnica longa, usada na maioria das vezes pelas mulheres. A kalasires consistia num sobre-túnica transparente usada por cima do haik ou do chanti. Já o arkh era um traje típico usado pelos sacerdotes, que vestidos, representavam os deuses. Para os adereços, existia o oskh, que era uma gola larga coberta por jóias, cobrindo o peitoral, usado tanto por homens quanto por mulheres; e a kafle, um adereço de cabeça feito em papiro usado pelos nobres e faráos.

A imagem acima mostra o rei faraó usando o chanti, oskh, e adereços como braceletes e a coroa. A rainha está vestida com o haik, a kalasires, o oskh e um adereço de cabeça da realeza. (Fonte: livro ‘A Roupa e a Moda’ – James Laver)
  
VESTUÁRIO:





O vestuário dos egípcios restringia-se a poucas peças, basicamente saia, blusa e túnica, com leve drapeado ou pregueado diagonal, em geral confeccionadas em tecidos brancos, leves e transparentes, de algodão
ou linho.


A roupa era um divisor das classes sociais. Para as classes mais altas, a roupa era muito mais luxuosa, enquanto as menos favorecidas, muita das vezes andavam nus. Os pastores e barqueiro geralmente usavam só uma faixa na cintura com tiras penduradas na frente. As bailarinas usavam vestidos transparentes. E as criadas andavam geralmente nuas ou com apenas uma tira de couro entre as pernas.

A roupa egípcia é uma das que menos sofreu alterações durante os 3000 anos de sua historia.

Os trajes típicos eram: Chanti e Kalasiris


Chanti era uma espécie de "saia" amarrada na cintura, presa com um cinto, geralmente usada sobre uma tanga ou com um triangulo protegendo as genitais.
Mulheres não usavam chanti, essa era uma peça de roupa exclusivamente masculina. A única mulher de quem se tem noticia de ter usado um chanti foi a Rainha Hatshepsut, que assumiu toda a vestimenta do faraó para se afirmar como única governante do Egito.
 

kalasiris era uma túnica longa usada por cima do chanti para os homens, e por cima de uma tanga para as mulheres, amarrada com uma faixa ou um cinto na cintura. Os kalasiris femininos geralmente não cobriam os seios, que ficavam à mostra mesmo, e eram feitos de linho muito fino e transparente, dando a impressão de estarem quase nuas.
A diferença de comprimento também variava de acordo com o sexo. Os masculinos geralmente iam até os joelhos, e os femininos até os tornozelos. Os kalasiris poderiam ser de diversos modelos, e poderiam ser adornados com cintos coloridos, e usados uma capa curta, muito fina e transparente, que cobriam graciosamente os seios.




Vestuário masculino

As roupas masculinas eram feitas basicamente por um saiote curto e uma ou várias pulseiras, um anel e um gorjal. Também usavam pingentes de jade ou de cornalina suspenso a um comprido cordão.
Esse vestuário deixava o egípcio apresentável para visitar suas terras, receber negociantes ou se dirigir para qualquer repartição. Mas ele tinha a alternativa de substituir o pequeno saio por uma saia tufada e calçar sandálias.
Alguns egípcios usavam um vestido de linho plissado, bem decotado, modelando o tronco e de estreita roda. As mangas, também muito curtas, estreitavam igualmente. Eles atavam sobre o vestido um cinturão largo, feito de um lenço plissado do mesmo tecido e dispunha-se o panejamento de modo a formar uma espécie de avental triangular. O traje de gala era complementado com o uso de uma grande peruca frisada que enquadrava a cabeça. Como adereço, recorriam as jóias, colares, um gorjal, peitorais de cadeias duplas, pulseiras, braceletes nos bíceps, sandálias calçadas.
Os faraós, além do saio curto, cobriam todo o corpo com uma capa de pele de leopardo curtida, que incluía as quatro patas e a cauda do animal.
As garras do felino eram usadas como presilhas. No Império Novo, os egípcios passaram a usar sobre o saio curto um outro vestido, mais comprido, quase até o tornozelo, de linho fino bem transparente.

Vestuário Feminino

As mulheres egípcias usavam uma camisa muito fina e, sobre a mesma, um vestido branco, plissado e transparente como o dos homens. O vestido unia-se sobre o seio esquerdo, descobria o seio direito, abria abaixo da cintura e descia até os pés(calasires). As mangas dos vestidos eram enfeitadas com franjas e os antebraços ficavam descobertos. Os pulsos femininos exibiam pulseiras que podiam ser rígidas, ou formadas por duas placas de ouro trabalhado unidas por duas charneiras. Também usavam anéis.
A peruca era objeto de uso obrigatório comum traje de cerimônia. Além da cabeça, cobria as costas e as espáduas. Na cabeça, usavam um diadema de turquesa.
Sobre a cabeleira era equilibrado um cone. Não se sabe qual era a sua composição, mas supõe-se que consistia numa pomada perfumada. Esse cone, de resto, não era usado apenas pelas mulheres. Os homens portavam cones semelhantes em algumas ocasiões.

 

Crianças

As crianças andavam normalmente nuas, em função do calor.
  

Sandálias



As sandálias, por outro lado, não erma usadas propriamente para o ir e vir, mas apenas nos momentos convenientes. O homem do povo levava suas sandálias na mão ou penduradas em um cajado, e só se calçavam quando chagava ao seu destino.
Até o faraó, às vezes, andava descalço e um dos seus criados de sua escolta carregava-lhe as sandálias. Tais calçados eram feitos de papiro transado, de couro ou até mesmo com solado e correias de ouro.
Os calçados egípcios eram assim formados: da ponta da sola partia uma correia que passava entre o primeiro e o segundo dedo do pé e se reunia no peito do pé a outras correias que formavam uma espécie de nó, e apertavam no calcanhar.

Dados importantes:


Produção de roupas

A manufatura têxtil e de costura foram as duas únicas áreas da economia que permaneceram, predominantemente, em mãos femininas. Por um longo tempo foram principalmente as mulheres que trabalharam na fiação e na tecelagem. Muito destes trabalhos foram incorporados dentro de casas mais ricas e aristocráticas da nobreza.
Fiação, tecelagem e costura de roupas era uma atividade importante em todos os níveis da sociedade. Senhoras do Harém Real estavam envolvidas nela como em uma empresa comercial, e as esposas de camponeses e trabalhadores produziram roupas para sua família e trocavam o excedente.
A maioria das roupas no antigo Egito era feita de linho; poucos itens eram feitos de lã.
Algodão não fora introduzido até o período cóptico (Cristão).
O linho era fiado do caule da planta de mesmo nome. Ao descascar, bater e juntar as tiras simples de fibra, longas fitas se formavam e então poderiam ser fiadas. Os fios eram torcidos e enrolados em bolas e armazenadas para serem tecidos. Diferentes espessuras eram obtidas, dependendo do produto final desejado. O fio mais fino era produzido a partir das plantas mais novas.
A tecelagem foi feito primeiro em teares horizontais, que muitas vezes eram apenas estacas fincadas no chão (os trabalhadores tinham que se agachar para trabalhar) e, mais tarde, durante o Reinado Novo, em teares verticais. Ferramentas de costureira incluíam facas (feitas primeiro de pedra, mais tarde de cobre, bronze e ferro) e agulhas (de madeira, osso ou metal).
Vários corantes vegetais eram por vezes aplicados antes da tecelagem, fios amarelos ou azuis, mas a maioria era deixada na sua cor natural. Após a tecelagem, o linho poderia ser branqueada de sol para produzir um pano branco atraente.



Simples e práticas

O vestuário do egípcio mediano variou pouco durante a história, mas o Reinado Novo foi um marco quanto aos costumes relativos à moda, quando foram modificados alguns costumes.
Duas alças no ombro ajudavam as pessoas a se trocarem. Alguns acreditam que os seios expostas eram sinal de vestido desgastado. Outros argumentavam que as alças estreitas eram uma convenção artística e que, na vida real, as alças eram grandes o suficiente para cobrir os seios. Todas as figuras e as poucas roupas sobreviventes apoiam o último ponto de vista. Deve ser considerado que os antigos egípcios provavelmente não considerassem um peito nu como uma indecência. Uma variação popular deste vestido tinha um top de manas curtas, com uma abertura no pescoço para unir as alças.
No Reinado Novo, muitos homens e mulheres usavam um manto que poderia ser dobrado de várias maneiras. Duas peças retangulares de tecido, cada uma com cerca de 1,2  metro por 1,5 metro eram costuradas no lado mais estreito, deixando um espaço para o pescoço. Esse acessório era fácil de ser produzido e podia ser usado por um homem ou uma mulher dependendo da finalidade. Uma vez que uma mulher colocava o manto, ela deveria levantar as duas pontas inferiores, trazendo-as para frente e dar um nó sob os seios. Esse manto era freqüentemente possuía pregas verticais.


ACESSÓRIOS





Egípcios antigos adoravam acessórios da moda com jóias incluindo colares, anéis, tornozeleiras e braceletes. Trabalhadas cuidadosamente, as jóias não eram apreciadas apenas por serem bonitas e valiosas, mas também pelo seu valor mágico que garantia proteção espiritual a quem as usava. Mesmo as peças não preciosas, meramente decorativas, eram consideradas amuletos protetores e símbolos de boa sorte.           


CABELOS

Durante o Reinado Antigo, homens e mulheres mantinham seus cabelos basicamente curtos e simples, embora houvesse variações no estilo. Cabelos eram um local popular para serem colocados adornos e amuletos; amuletos em forma de um pequeno peixe eram presos nos cabelos das crianças, talvez para protegê-las dos perigos do Nilo.
No período do Reinado Novo, os cortes de cabelo se tornaram muito mais estilizados e sofisticados. Tanto homens como mulheres usavam seus cabelos mais longos. Flores e fitas eram agora usados para decorar o cabelo das mulheres. A mulher de um egípcio de alta posição social tinha a cabeça raspada com a exceção de pequenos tufos de cachos, um estilo distintivo que era identificado como Núbio e com o respectivo grupo étnico.
Durante todo o período antigo, um único estilo de cabelo se reservava às crianças, que tinham as cabeças raspadas, mantendo apenas uma longa trança do lado esquerdo; isso era reconhecido como sinal de juventude. Este sinal em forma de S servia como símbolo hieroglífico para infância ou juventude, e era usado por meninos e meninas até o início da puberdade.
Ao menos no Novo Reinado, sacerdotes raspavam não só os cabelos mas todos seus pelos do corpo, principalmente como precaução contra piolhos e carrapatos, cuja presença era considerada ofensiva durante a adoração aos deuses.





CURIOSIDADE:

Antigos egípcios já usavam gel para cabelo, diz estudo.
Como naquele período a indústria de cosméticos ainda não havia criado os vendedores que iam de porta em porta, o jeito era improvisar.



Os cabelos eram preservados sedosos para o além-vida com uma espécie de gel à base de gordura, de acordo com os pesquisadores da Universidade de Manchester, no Reino Unido.
"A aparência pessoal era tão importante para os antigos egípcios que, em alguns casos, o processo de embalsamamento foi adaptado para preservar o estilo de cabelo", afirma o relatório.
Para a pesquisa, foram analisados microscopicamente os cabelos de 18 múmias, sendo 15 de um cemitério deserto e três de procedência desconhecida, emprestadas de museus.
Em nove das múmias, os estudiosos identificaram algum tipo de substância que protegia o cabelo. Análises subsequentes revelaram tratar-se de ácidos graxos de vegetais e de origem animal.



PERUCAS

Os acessórios mais importantes da moda egípcia antiga eram as perucas, negras, brilhantes, talvez pela associação com a vitalidade da juventude. Era um modo de esconder a idade. Contudo, haviam aplicações mais importantes. Cabelos naturais poderiam ser espessos o suficiente para proteger dos raios diretos do sol em um dia de verão ou para manter a cabeça aquecida em uma noite fria de inverno. Por outro lado, uma cabeleira espessa era desconfortável quando estava muito quente dentro dos recintos, além de ser e um terreno propício para piolhos. A solução era simples: egípcios com recursos poderiam cortar o cabelo curto e usar uma peruca.



Os egípcios eram famosos pelas suas perucas, em geral feitas com cabelos trançados em inúmeras diferentes formas, desde as mais simples até as mais elaboradas. Ao contrário de muitos usuários de peruca de hoje, os egípcios eram muito orgulhosos de suas perucas e não faziam nenhum esforço para fingir que eram cabelos naturais, nem se preocupavam em esconder o cabelo natural sob a peruca. Pinturas e esculturas mostram freqüentemente uma área de cabelo natural entre a fronte e a peruca. De qualquer modo, embora as perucas mais caras fossem feitas com cabelo humano real, o design e a estrutura eram tais que seria quase impossível confundir uma peruca com o cabelo natural.



Peças de cabelo em forma de cachos e tranças eram por vezes adicionados aos cabelos naturais, mesmo em indivíduos relativamente pobres, embora perucas completas fossem mais comuns. Muitas perucas eram extremamente complexas, arranjadas em cuidadosas tranças e cordões. Embora fossem comumente feitas de cabelos, algumas tinham uma entretela feita de fibras vegetais sob a superfície, o que poderia ser responsável pelo aspecto volumoso e denso.



Mulheres frequentemente usavam perucas trançadas muito longas e pesadas, o que fazia com que fossem consideradas mais atraentes. Homens geralmente usavam perucas mais curtas que as das mulheres, mas seu estilo era algumas vezes mais elaborado. Perucas eram usadas em ocasiões públicas e em banquetes e deveriam ser perfumadas com frequência.



Mulheres do Reinado Antido usavam perucas com duas ou três camadas de tranças muito apertadas na parte superior da cabeça que desciam de ambos os lados e nas costas. Poderia ou não haver uma parte no meio. Várias camadas eram adicionadas umas sob as outras para tornar as laterais mais volumosas.

Fibra de palmeira era usada para fazer um gorro que se ajustasse à cabeça. Cabelos puros ou misturados com fibras vegetais e lã eram trançados, enrolados ou dobrados em tranças delgados, e colados ao corro com cera de abelha ou resina. Vários corantes eram usados para produzir a desejada coloração negra. A estrutura básica permaneceu a mesma ao longo da história egípcia, mas muitas variações eram possíveis, e o estilo variava ao longo do tempo com a idade, o sexo e a classe social do portador.

Além de terem ou não uma parte no meio, perucas do Reinado Velho variavam em comprimento. As mais simples chegavam entre a altura dos ombros e um pouco abaixo das orelhas. Dois estilos muito populares deixavam o cabelo descer para os seios. A “peruca tripartite”, como o nome sugere, era dividida em três partes; dois prolongamentos por trás das orelhas, dois nas laterais do rosto e na parte da frente do corpo até os seios, um prolongamento para baixo na parte traseira.

A peruca envolvente era semelhante em tamanho, mas cobria os ouvidos. O comprimento das tranças variava para que pudessem cair livremente sobre os seios na frente, sobre os ombros, e descer de volta para as omoplatas.


MAQUIAGEM E COSMÉTICOS


Cosméticos não eram considerados um luxo, e a maioria das pessoas, dos simples camponeses até o próprio faraó as usavam. A única diferença estava na qualidade dos produtos. Homens e mulheres seguiam a última moda em cortes de cabelo, maquiagem e vestuário.




Os antigos egípcios, tanto homens quanto mulheres, usavam no olho maquiagens características, Rouge e óleos perfumados que suavizam a pele e evitam queimaduras de sol e os danos dos ventos de areia.


Não só os homens e mulheres do Egito usavam maquilagem, mas também as estátuas de seus deuses e deusas eram adornadas com todos estes diferentes tipos de cosméticos. Quanto maior o status da pessoa, mais roupas e maquiagem usavam.

O sol e o calor necessário tornavam o uso de maquiagem algo mais do que apenas complementos de beleza para a pele, mas uma garantia de boa saúde. Egípcios se banhavam com freqüência, até várias vezes por dia. Ungüentos e óleos eram aplicados sobre a pele em ambos os sexos. Uma mistura popular era feita de extratos vegetais misturados com a gordura de gatos, crocodilos e hipopótamos.

Maquiagem para os olhos era regularmente utilizadas proteção contra o brilho do sol e contra insetos portadores de doenças. Ocre vermelho era aplicado nos lábios e bochechas pelas mulheres pela mesma razão que usam maquiagem atualmente. Os cuidados com os cabelos envolviam preocupações com a infestação por piolhos.


Maquiagens egípcias para os olhos


A maquiagem para os olhos no Egito antigo era extremamente elaborada e criava a aparência amendoada que se tornou característica dos antigos egípcios. A história deste tipo de maquiagem remonta o ano 4000 AC. Eram usados concentrados de cor para cílios, pálpebras e sobrancelhas. As cores favoritas eram preto e verde. Os pós utilizados eram colocados em uma paleta para serem misturados com água até formar uma pasta.


“Kohl”, o cosmético negro para os olhos no Egito antigo

O colorido negro da maquiagem para os olhos no antigo Egito era feita com Kohl, uma mistura de galena com fuligem, estocado em potes ricamente decorados.


O cosmético verde para os olhos no Egito antigo.



A maquiagem verde para os olhos era obtida da malaquita, um minério de cobre encontrado na forma de hidroxi-carbonato de cobre no deserto do Sinai, que quando esmagado fornece um pigmento verde vibrante muito usado em pinturas na antiguidade.

A maquiagem para os olhos não era usada por apenas por motivos estéticos. Médicos egípcios prescreviam o uso de Kohl em casos de doenças oculares, provavelmente conjuntivites, pois a galena tem qualidades desinfetantes. Kohl também protegia a região em torno dos olhos contra o sol e servia como repelente de moscas. Tão logo nasciam as crianças, seus olhos eram circundados com Kohl, pois acreditava-se que ficariam protegidas de “maus olhados”. Acreditava-se também que a maquiagem verde evocava o Olho de Horus, Deus do Céu e do Sol.

POTES DE KOHL - Estes dois potes de Kohl foram talhados na pedra. Eles foram lacrados com tela e continham galena em pó. Desde a época pré-dinástica, os Egípcios (homens e mulheres) utilizavam cosméticos para proteger os olhos do sol, da poeira e dos insetos. Estes eram fabricados com minerais esmagados ou amassados que eram misturados à água ou a um elemento oleoso. Assim como os unguentos, a maquiagem representava um papel no culto funerário. O bastão de metal possuía uma extremidade com um bojo que permitia aplicar o cosmético em torno dos olhos enquanto que a outra extremidade servia para misturar os ingredientes ou retirá-los. A concha permitia a preparação do cosmético. XVIII dinastia. Museu do Louvre. H: 7.8 et 4 cm.

O Rouge no Egito antigo

Egípcios antigos usavam um tipo de rouge para colorir seus lábios e bochechas. Este cosmético era obtido do pigmento “ocre vermelho”, composto de óxido de ferro hidratado. Este pigmento já era utilizado nas pinturas pré-históricas. O minério era retirado do solo, lavado para a separação da areia e então seco ao sol, ou por vezes queimado para realçar a cor natural.



Esmalte de unhas e tinturas de cabelo no Egito antigo.

Egípcios antigos usavam um tipo de henna para pintar suas unhas e colorir seus cabelos. A cor e a condição das unhas por muito tempo foram uma indicação do estatus na sociedade.



Henna é um corante obtido a partir de folhas e brotos do arbusto “henna”, nativo das regiões tropicais e subtropicais da África. Após deixar as folhas e brotos na terra, secando ao sol, eram moídas em uma paleta e misturadas com água até formar uma pasta. A henna também era usada como uma planta medicinal e para limpeza e resfriamento da pele.


Henna era usada também para colorir os dedos dos Faraós e nobres antes da mumificação; as primeiras documentações históricas sobre a henna foram traços encontrados nos dedos de múmias de Faraós.


Incensos, Perfumes e Óleos

Os antigos egípcios usavam diversos perfumes obtidos de fragrâncias derivadas de flores, plantas e sementes, misturadas em cremes feitos de gorduras animais e óleos como o caríssimo “balanos” ou o óleos mais comuns como o “óleo de castor”.
Também usavam como base mirra, frankincense, cardamom e cinnamom.

 
 



Há numerosas representações de convidados a banquetes e reuniões públicas usando um cone de incenso sobre suas pesadas perucas. Os cones de incenso podem ser encontrados em homens e mulheres, feitos de incenso aromático misturado a gordura.
De início acreditava-se que esses cones perfumados deveriam gradualmente derreter com o calor, escorrendo na peruca e na vestimenta, supostamente tornando a pessoa “na moda e notada”. Entretanto, parece improvável que as pessoas quisessem que suas roupas e as perucas caras e elaboradas ficassem manchadas e embaraçadas com gordura solidificada.




Atualmente se cogita que os cones de incenso serviam apenas para garantir que as perucas ficassem perfumadas. Tais cones nunca foram encontrados pela arqueologia, e parece plausível que os cones apenas ilustravam algo que não poderia ser representado graficamente (o perfume).



O Egito e suas cores !

No Egito, tudo era muito simbolico, e com as cores não poderia ser diferente.
Se engana quem pensa que todas as roupas eram brancas, assim como também se pensa das roupas gregas. Muito pelo contrario, os tecidos poderiam ter as mais belas cores e padronagens, eram muito alegres e lindos!

Cores

Era muito comum tingir os tecidos com cores claras, que podiam ser de apenas uma cor ou de varias formando desenhos e padronagens, sem perder seu significado simbolico.
Kemi - Negro, preto
hedjet - branco, prateado (também é o nome da coroa branca do sul)
tesheret - vermelho (também é o nome da coroa vermelha do norte)
nub - amarelo, dourado
wadjet - verde (a deusa Wadjet era conhecida como "a verde")
Kesbed – azul
Mefkat - azul turqueza ou azul claro
*O metal ouro também era chamado de nub, e a prata de nub hedj, ou ouro branco!

Nub - Ouro ou Dourado

O ouro era chamado de "nebw" de "nub". E era associado com o poder do deus Ra (ou Re), e com o faraó. Mas também era associado ao deus Set, muitas vezes chamado de "Aquele da Cidade Dourada" (a cidade de Nubt).
A pele dos deuses era associada ao ouro, que representa a pureza e a eternidade.

Nub Hedj - Prata ou Prateado

A Prata era chamade de "Hedj". A palavra Hedj também significa "branco", e a prata muitas vezes era chamada de "ouro branco" (nub hedj)
Ela representa a pureza, mas também podia representar a Lua (assim como o ouro representava o sol). A prata era muito rara no Egito, e por isso encontramos mais trabalhos em ouro do que em prata durante o Antigo Império. Durante o Médio Império, encontramos objetos de prata que provavelmente valiam metado do preço do ouro. A prata se tornou mais popular no Egito em tumbas faraônicas apartir a XXI e XXII dinastias, mas não se sabe realmente o porque. Especulações dizem que pode ter sido por falta de ouro (a fazendo mais barata que o ouro) ou por razões artisticas ou mitologicas (possivelmente uma ligação com o deus Sokar).
A prata também era usada como objeto de troca para comprar coisas mais baratas e comuns (cerveja, pão, linho, etc). O "shat" (seniu, Sna ou shena) era pequeno disco contendo 7.5 ou 7.6g de prata, enquanto o "deben" tinha entre 90 e 91g. Deben e shat não eram exatamente usados como uma espécie de moeda, apenas como uma referencia do valor da prata relacionado com coisas cotidianas.

Wadjet - Verde

A palavra Wadj (verde) também significa "florescer" ou "estar saudável".
O hieroglifo é a representação de um papiro (planta) assim como da pedra "malaquita" (também chamada de wadj).
A cor verde representa a vegetação, a vida nova e a fertilidade. Os deuses da terra e da fertilidade eram Geb e Osiris, que tinham a pele verde, indicando o seu poder de estimular o crescimento da vegetação. Entretanto, os egípcios associavam o verde com o ciclo da vida, e assim como simbolizava a fertilidade e o nascimento, também simbolizava a morte e o poder de ressurreição. O reino de Osiris também era chamado de "campos de malaquita"
A malaquita também representa a felicidade e o entretenimento e por isso é associada à deusa Hathor.
A deusa Wadjet é chamada de "a verde" e é uma das Duas Senhoras das Duas Terras.

Mefkat - Turqueza (azul claro ou verde agua)

Outra cor muito usada pelos egípcios era o turqueza, visto ora como um tom de verde azulado, ora como azul esverdeado, mas para os egípcios era azul claro mesmo.
A cor turqueza, assim como a pedra era chamada de Mefkat, e simbolizava a fertilidade, a boa sorte e a proteção contra "o olho do mal", além de ser visto como um precioso prêmio pelos egípcios.
O bracelete de ouro e turqueza da rainha Zer é a peça de joalheria adornada com pedras mais antiga descoberta até agora, cerca de 5500 a.C. A turqueza era extraída no Sinai. Os egípcios também usava quartzo esverdeado, para dar o mesmo efeito brilhante da turqueza.
No livro dos mortos, a doença é descrita como um falcão de asas com pedras verdes. Devido a conexão com Horus (Heru) e com o amuleto "o olho de Horus", que oferece proteção e cura, que também é verde. Durante o processo de mumificação, um escaravelho verde era posto do lado esquerdo do peito, em cima do coração para proteger todo o local aonde o morto repousará magicamente.

Khesbed - Azul

O azul, também chamado de Irtyu, é a cor do paraíso e a representação do universo. Muitos templos, sarcófagos e urnas funerárias eram adornadas de azul escuro com pequenas estrelas douradas.
Azul também era a cor da agua, e por isso representava as aguas do Nilo Primeval do Caos. Como resultado, o azul é associado com a fertilidade, renascimento e com o poder de criação. Um hipopotamo de vidro ou faiança azul era muito popular como simbolo do Nilo e do deus criador Amun, também era representado com a face azul.
De acordo com o mito, o cabelo dos deuses era feito de Lapis Lazuli (khesbedj). Um grande número de faraós imitavam os deuses sendo representados artisticamente com a face ou os cabelos azuis.

Khesbedj - Lapis Lazuli

O Lapis Lazuli era chamado de "Khesbedj". É o azul escuro que simboliza a fertilidade e a boa sorte, e era associado ao céu e ao universo.
Na pintura, os egípcios faziam os pigmentos azuis com um grande número de minerais, incluindo o azurite (tefer) e o cobre (bia). Mas o mais famoso e precioso de todos era o "azul egípcio" (irtyu) feito com quartzo (silica) com cobre (em forma de malaquita), Carbonato de calcio e natrão. Era caro e dificil de ser feito, mas produzia uma cor alul escura bastante popular. O Lapis Lazuli e o vidro azul também eram usados na sua joalheria. * O turqueza (azul-agua) era mais associado com a cor verde do que com a cor azul. O Lapis foi encontrado em artefatos do periodo pré-dinastico, e é evidente que nos tempos mais remotos o usaram como objeto de troca com seus vizinhos do Vale do Eufrates.

Tefer – Azurita

A azurita é encontrada frequentemente em associação com a malaquita como resultado da alteração e oxidação de minerais de cobre.
O nome azurita tem origem na palavra árabe para azul. Desde há muito tempo usada como pigmento mineral azul. Usada também em jóias; os melhores espécimes são apreciados por coleccionadores de minerais.

Bia - Sulfato de Cobre

O cobre nativo, o primeiro metal usado pelo homem, era conhecido por algumas das mais antigas civilizações que se tem notícia e tem sido utilizado pelo menos há 10.000 anos - onde atualmente é o norte do Iraque foi encontrado um colar de cobre de 8.700 a.C.; porém o descobrimento acidental do metal pode ter ocorrido vários milênios antes. Em 5.000 a.C. já se realizava a fusão e refinação do cobre a partir de óxidos como a malaquita e azurita. Os primeiros indícios de utilização do ouro não foram vislumbrados até 4.000 a.C. Descobriram-se moedas, armas, utensílios domésticos sumérios de cobre e bronze de 3.000 a.C., assim como egípcios da mesma época, inclusive tubos de cobre. Os egípcios também descobriram que a adição de pequenas quantidades de estanho facilitava a fusão do metal e aperfeiçoaram os métodos de obtenção do bronze; ao observarem a durabilidade do material representaram o cobre com o Ankh, símbolo da vida eterna.

Tesheret - Vermelho

O Vermelho, chamado desher, tinha diversas associações no Antigo Egito. O deserto era chamado de terra vermelha (desheret) em contrapartida com o Egito, Kemet, ou terra negra. Desheret também é o nome da coroa vermelha do norte.
Os egípcios preferiam as pedras vermelhas de jaspe ("khenmet", possivelmente do verbo "hnm", "deleitar-se") e de cornalina ("herset", que significa "triteza" durante o periodo dinastico tardio). Eles também usavam o Sárdio (uma variedade de calcedônia com cor castanha a castanha avermelhada e translúcida) e o vidro, para fazer suas pinturas ricas em vermelho com aço oxidado e ocres avermelhados.
O vermelho era a cor mais poderosa do Egito por causa da sua associação com o sangue, principalmente com o poder do sangue de Isis.
O amuleto Tjet (nó de Isis) era colocado na múmia feito em pedra vermelha. O livro dos Mortos especifica que o Tjet devia ser feito sem jaspe vermelho, mas com cornalina ou exemplares de vidro vermelho que fossem encontrados. O Tjet nem sempre é vermelho (também poderia ser em azul) mas muitos estudiosos ligam o simbolo com o sangue de Isis, uma representação do sangue menstrual.
O amuleto Shen, era o simbolo da vida longa. Era associado com Ra, o deus do sol e feito em pedra vermelha, principalmente em cornalina (mas também é possivel encontra-lo em lápis lazuli). Ele aparece como disco com uma linha abaixo, zimbolizando o sol no horizonte.
O Shen representa a eternidade e trás vida londa.
Entretanto, a cor vermelha também representa a raiva, o caos e o fogo, e é associado a Set, o imprevisivel deus das tempestades, assim como com Sekhmet, "Senhora da Chama". Set tem o cabelo vermelho, e pessoas ruivas eram associadas a ele. Como resultado, os egípcios descreviam pessoas com um perfil bélico como tendo um "coração vermelho" ou como tendo "olhos vermelhos", se fosse raivosa ou violenta. Set também associado com o deserto e lugares distantes, com o caos e com a raiva. Por isso a palavra "deserto" é derivada do egípcio "desheret", terra vermelha.
Vermelho por ser azarado ou perigoso. Sacerdotes e escribas também usavam a cor vermelha simbolizando o poder de importantes frases com tinta vermelha, assim como palavras vistas como coisas ruins ou que lembravam má sorte também eram escritas em vermelho. Neste caso, todo papiro que falasse de Apep (Apophis) era escrito em vermelho.
* A cornalina (herest) era associada à Sekhmet, como uma forma de balancear o bem e o mal com Hathor, simbolizada pela turqueza (mefkat)

Khenet - Amarelo

O amarelo, ou khenet, representava o eterno e indestrutivel, e era associado ao ouro (neb, nebu ou nebw) e ao sol. O ouro era a pele dos deuses, e numerosas estatuas dos deuses eram feitas ou cobertas com ouro. Os sarcofagos dos faraós também eram feitos de ouro, pois ele estava prestes a se tornar um deus em sua morte. Um "shen" dourado era colocado no peito da múmia para lhe dar a proteção de Ra.
Os egípcios também usavam pigmentos de ocre amarelo (um minério de ferro) e massicot (um óxido de chumbo). Durante o Novo Império, eles também usaram o sulfato de arsênico. O amarelo também era misturado com o branco, representando a pureza.

Hedji - Branco

como o Amarelo era associado ao ouro, o Branco era associado à prata, mas apesar da prata ser chamada de nub hedj (por ser considerado o ouro branco), o branco era chamado apenas de hedj. A cor branca representava a pureza e a onipotencia. O branco era visto como o oposto do vermelho, que era associado ao caos, fazendo do vermelho e do branco, cores complementares, como é visto na coroa dupla (pschent), união do Alto (hedjet) e do Baixo (tesheret) Egito. É particularmente associado com objetos simbólicos religiosos e ferramentas feitas em alabastro branco.
A cidade sagrada de Menfis (Menufer) era chamada de "Ineb hedj" que significa "os muros brancos", e adornos e sandalias brancas eram usadas em cerimonias sagradas.
O alabastro era muito valioso para os egípcios por causa da reluzente cor branca. O que resultou no seu uso para itens rituais como os vasos canopicos.
A palavra "hedj" é usada tanto para branco quanto para prata.

Kemi - Preto

A cor preta, Kem, representava tanto a morte como o pós-vida. Um dos epítetos de Osiris era "o negro" por ele ser o rei do mundo dos mortos, e tanto ele quanto Anubis (o deus do embalsamento) eram representados com faces negras.
Entretando, os egípcios também associavam o preto com fertilidade e ressurreição, pois a agricultura dependia da lama negra deixada pelas cheias do Nilo aonde seria plantado tudo que fosse ser consumido ou exportado do Egito durante o resto do ano. Tanto para a representação de ressurreição como de fertilidade, o preto e verde eram interligados. Como resultado, os deuses Osiris e Geb são representados com pele negra ou verde, enfatizando sua conexão com a fertilidade.

O Egito era chamado e Kemet, a "terra negra" justamente por causa da lama que ficava ao redor do Nilo após as cheias, e não tem absolutamente nada a ver com etnicidade.

A Rainha Ahmes-Nefertari foi representada com a pele negra, o que gerou muita discussão se ela seria ou não de origem núbia, mas é certo que foi apenas uma representação simbolica de riqueza e fertilidade, além de ela ser também a patrona da necrópolis.

* Ebano = A pintura negra era feita com fuligem ou carvão, e ocasionalmente com óxido de manganésio. Ebano (que tem seu nome moderno devido ao kemita "hbny") também era bastante popular. E junto com o marfim (do egípcio âb, âbu = "elefante"), faziam um bonito conjunto. Tutankhamun tinha um belíssimo senet feito em ebano e marfim em sua tumba.

* A Onyx Negra também era bastante popular na joalheria egípcia, usada tanto pela realeza quanto pela plebe. Ela é uma forma de quartzo negro que fica muito bonito combinado com a prata.
Curiosidades:

As cores das pinturas egípcias eram elaboradas da seguinte forma:

O preto era usado para fazer a pintura a partir do Carvão de madeira ou Pirolusite, um óxido de manganésio do deserto do Sinai.

O Branco era usado para fazer a pintura a partir do Cal ou Gesso.

O Vermelho era usado para fazer a pintura a partir do Ocre.

O Amarelo eles usavam o Óxido de ferro hidratado (limonite).

O Verde era feito através da malaquita de sinai.

O Azul era elaborado a partir do Azurite (Carbonatode Cobre) ou Óxido de Cobalto.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

http://www.egyptologyonline.com/chronology.htm
http://www.egyptologyonline.com/dress.htm
http://www.egyptologyonline.com/wigs_&_hair.htm
http://www.king-tut.org.uk/ancient-egyptians/egyptian-make-up.htm
http://www.womenintheancientworld.com/women%20in%20ancient%20egypt.htm